AS MINHAS RAIZES

Nasci na maravilhosa cidade de Guimarães e vivi até casar a 2 km do centro, porém com um cheirinho a campo.
Os meus pais tinham um talho, onde eu e os meus dois irmãos fomos criados, habituados a ver grandes pedaços de carne de boi, vaca ou porco pendurados sem nos fazer qualquer confusão.
E, claro está, porque naquela altura não se falava de trabalho infantil (ah, ah) habituada desde pequenina a fazer chouriças e outros enchidos semanalmente. Enchidos VERDADEIROS, MARAVILHOSOS, com um sabor inconfundivel (graças a Deus também ainda não havia a ASAE), feitos com a própria tripa do porco que eu enchia devagarinho, através de um funil que ainda possuo e utilizo para fazer as minhas alheiras.
Fazia para cima de 200 todas as semanas, mais alguns salpicões, que depois eram colocados no nosso "fumeiro", no nosso "campo".
Sim, possuiamos um campo de onde se tirava quase tudo o que ia à nossa mesa. Os meus pais cultivavam tudo o que era da época. Era daquele campo que vinham as nossas batatas, que consumiamos durante todo o ano e todos os produtos horticolas. 
Era também daquele campo ou do campo dos vizinhos que vinha a nossa fruta, comida na época que "Deus a dava", como diziam.
Detestava a época dos morangos. Pois é...! A apanha do morango é muito custosa.
Naquele campo também se criavam as galinhas (ovos caseiros maravilhosos) e os coelhos.
E, claro está, não me posso esquecer da vindima, apesar do vinho que dava ser do mais rasca que havia, era feita em Setembro/Outubro todos os anos.
Como não dava para beber era aproveitado para os temperos do talho durante todo o ano (enchidos, toucinho, orelheira...).
Naquele tempo detestava tudo, o campo, o talho, os enchidos...
Hoje, lembro-me com saudade, e procuro aproveitar os conhecimentos naquela altura adquiridos contra vontade.
Como é bom saber fazer enchidos caseiros, como é bom saber fazer alheiras (agradecem a família e os amigos), como é bom curtir as minhas próprias azeitonas!
Hoje vivo a 8 Km de Guimarães, numa das freguesias rurais desta linda cidade. Sou casada com o Luís e tenho dois filhos maravilhosos, o João Luís e a Margarida. Também temos a companhia do cão Scooby e da cadela pantufa.
Ainda não consegui convencer o Luís a deixar-me criar galinhas e coelhos lá no terreno que temos e que envolve a nossa casa, nem tão pouco a ajudar-me a fazer uma horta, mas... já me fez um fumeiro!
Claro está, que alheiras como as minhas são difíceis de encontrar... e ele está a pensar na barriguinha dele.
Quanto à horta, realmente não preciso dela. É a vantagem de viver no campo. Hoje o vizinho do lado oferece-me penca e nabos e a vizinha de frente vem trazer grelos, amanhã quando chegar a casa após mais um dia de trabalho, vou encontrar um saco em cima do muro cheio de tomates, cenouras... e nem sei quem lá a pôs nem a quem agradecer.
É bom viver no campo!
                                                                         
  

                                                                 

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